segunda-feira, 27 de setembro de 2010

LIBÂNEO, José Carlos.Tendências Pedagógicas na Prática Escolar

O texto apresenta as tendências pedagógicas que se têm firmado, conforme o autor, nas escolas pelas práticas dos professores, explicitando os pressupostos teóricos e metodológicos de cada uma delas.

A – Pedagogia liberal
 Baseada na sociedade de classes, a pedagogia liberal sustenta a idéia de que a escola tem por função preparar os indivíduos para o desempenho de papeis sociais, de acordo com as aptidões individuais.

  1. TRADICIONAL – O compromisso da escola é com a cultura. Os problemas sociais pertencem à sociedade. Desta forma, os conteúdos de ensino são os conhecimentos e valores sociais acumulados pelas gerações anteriores e repassados como verdades absolutas. Predomina a autoridade do professor que transmite o conteúdo como verdade.
  2. RENOVADA PROGRESSISTA – A finalidade da escola é adequar as necessidades individuais ao meio social. À escola cabe suprir as experiências que permitem ao aluno educar-se, num processo ativo de construção e reconstrução do objeto, numa interação entre as estruturas cognitivas do indivíduo e estruturas do ambiente. Dessa forma, os conteúdos de ensino são estabelecidos em função de experiências que o sujeito vivencia. “Aprender fazendo”.
  3. RENOVADA NÃO-DIRETIVA – Papel da escola como formadora de atitudes, razão pela qual deve estar mais preocupada com os problemas psicológicos do que com os pedagógicos e sociais. Clima de autodesenvolvimento e realização pessoal. O professor é um especialista em relações humanas, ausentando-se como forma de respeito e aceitação plena do aluno.
  4. TECNICISTA – À escola compete organizar o processo de aquisição de habilidades, atitudes e conhecimentos específicos, úteis e necessários para que os indivíduos se integrem na “máquina do sistema social global”. Produção de indivíduos competentes para o mercado de trabalho.

B – Pedagogia progressista
Baseada na análise crítica das realidades sociais, a pedagogia progressista sustenta implicitamente as finalidades sociopolíticas da educação.


  1. LIBERTÁRIA – A pedagogia libertária  espera que a escola exerça uma transformação na personalidade dos alunos num sentido libertário e autogestionário. Os conteúdos de ensino ficam à disposição dos alunos que trabalham em grupos na forma de autogestão. Dessa forma, esta pedagogia considera ineficazes e nocivos todos os métodos à base de obrigações e ameaças.
  2. CRÍTICO-SOCIAL DOS CONTEÚDOS – A função da pedagogia “dos conteúdos” é dar um passo a frente no papel transformador da escola, mas das condições existentes. A atuação da escola consiste na preparação do aluno para o mundo adulto e suas contradições, fornecendo-lhe um instrumental, por meio da aquisição de conteúdos e da socialização, para uma participação organizada e ativa na democratização da sociedade. “O professor deve obter o acesso do aluno aos conteúdos, ligando-os com a experiência concreta dele – a continuidade; mas, de outro lado, de proporcionar elementos de análise crítica que ajudem o aluno a ultrapassar a experiência, os estereótipos, as pressões difusas da ideologia dominante – é a ruptura.”
  3. LIBERTADORA - Criada por  Paulo Freire, esta é uma tendência pedagógica que deve defender a autogestão e o antiautoritarismo, fazendo do professor um mediador do conhecimento. Importante ressaltar também que essa tendência é muito empregada na educação de jovens e adultos, já que vincula a educação à luta e à organização das classes menos favorecidas e faz com que o trabalhador tome consciência da exploração política e econômica a que está submetido. Nesse sentido, Freire destaca a importância de se considerar a realidade do aluno no ambiente de aprendizagem. Afinal, aprender deve ser um ato  de conhecimento da realidade concreta, e só tem sentido se puder se aproximar crítica e ativamente dela.

***

As ideias norteadoras da tendência libertadora são, de fato, instituidoras de um     pensamento que toma o ensino de conteúdos como social (formação de cidadãos do mundo). Dessa forma, é importante notar que a escola nem sempre consegue tomar os conteúdos de ensino (transmissão desses conteúdos) dessa maneira. Por ser muitas vezes um ambiente que artificializa as situações (e muita vezes não há como não ser assim) fica bastante complicado implementar uma tendência de tipo libertadora no ensino regular.

Um comentário:

  1. Giórgio e Sabrina
    Parabéns pelo blog!!
    O comentário do texto 2 poderia ter sido melhor desenvolvido, apenas aponta-se para questões importantes. Porém, porque não há como se artificilizar as situações de ensino?
    Abraços
    Daniela

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