O ensino/aprendizado através de projetos parece ser uma boa alternativa ao ensino baseado em conteúdos conceituais num momento em que a escola é cada vez mais necessária – a crescente mecanização concentra o mercado de trabalho progressivamente nas atividades ligadas à economia do conhecimento – e, por outro lado, é cada vez mais sitiada - os alunos criados na sociedade do imperativo de gozo recusam a autoridade do professor e tornam os ambientes de sala de aula inóspitos - tudo isso agravado na escola pública devido ao fato de que vários alunos têm vivências cotidianas permeadas pela violência do tráfico de drogas. Além disso, ainda é importante notar o fato de que com a proliferação dos meios de comunicação de massa os alunos recebem conhecimentos parciais e dispersos, o que faz com que aspectos básicos que estejam sendo ensinados para muitos sejam já conhecidos de alguns.
Nesse contexto apreender a síntese de uma composição química ou a utilização de uma fórmula de física parece distante da vida cotidiana e o ensino/aprendizado através de projetos – traçar um objetivo, buscar de forma interdisciplinar dar conta dele através de pesquisa e atividades que possibilitem o trabalho em rede e a troca de conhecimentos imediata de aluno para aluno – parece ser uma ótima alternativa. Não se trata também de defender o ensino/aprendizado através de projetos como uma panacéia, apenas não podem ser deixadas de lado suas potencialidades – o uso dos conhecimentos e a simulação de atividades reais.
O texto de Dácio G. Moura e Eduardo F. Barbosa não fica restrito ao ensino/aprendizado através de projetos, ele trata de projetos para os vários níveis educacionais – desde a gestão da escola até a sala de aula. Sendo assim um projeto educacional todo “projeto com finalidade educativa, independente de ser de uma escola ou fazer parte do sistema educacional forma”.
Projetos são opostos a atividades rotineiras, “uma atividade rotineira pode ser automatizada a ponto de poder ser executada por uma máquina; um projeto, entretanto, por ser uma atividade criadora” depende de pessoas que imaginem, criem, executem, controlem, critiquem, imaginem novamente, modifiquem, etc.
Existem projetos de vários tipos: intervenção, pesquisa, desenvolvimento, ensino, trabalho. Para a discussão que é feita nesta disciplina de Didática o projeto de ensino – projeto elaborado para melhor o processo ensino/aprendizado em uma ou mais disciplinas, e o projeto de trabalho – projeto realizado por alunos sob supervisão de professor(es) com objetivo de aprendizagem de conceitos e desenvolvimento de competências – são os mais importantes. Os autores ainda trazem a tona o fato de que a cultura de projetos na educação é incipiente e isso se deve a uma resistência das pessoas com relação a inovações, além de mostrarem a variabilidade do tamanho, complexidade e incerteza dos projetos, variáveis essas que se cruzam em matrizes em que todas elas têm relação com as outras. Isto quer dizer que podem existir projetos simples e grandes, assim como complexos e de baixa incerteza. Também é importante notar que um programa é um conjunto de projetos e que um subprojeto é uma parte de um projeto de grande porte.
Os projetos nas várias esferas da educação podem propiciar às pessoas (e aos alunos) entediadas com suas rotinas um trabalho criativo e estimulante, entretanto, para isso além da cultura de projetos que os autores do texto defendem também é necessária a formação e remuneração satisfatórias dos profissionais da educação, bem como a criação de infra-estrutura para que esses processos dinâmicos tenham lugar. Ao se comparar por exemplo o Colégio de Aplicação da UFSC com uma escola pública estadual do entorno pode ser percebido já nas paredes quão dos dois trabalha com projetos, nas notas do ENEM ou na aprovação no Vestibular isso pode ser notado outra vez, assim como no orçamento, de modo que muito mais do que uma cultura de projetos precisa ser criada para que a educação possa sair do marasmo em que se encontra.