A avaliação é um dos momentos capitais dos processos de ensino porque tem consequências diretas na vida do estudante, seja em sistemas de organização binária em que o aluno pode ser aprovado ou reprovado, seja em sistemas contínuos como o IAA da UFSC em que a soma de várias avaliações é utilizada muitas vezes como único determinante na distribuição de bolsas de estudo.
A pesquisadora Vani Moreira Kenski pondera que o ato de avaliar transcende a sala de aula, que na verdade as pessoas avaliam cotidianamente em cada tomada de decisão. Seja ela uma escolha sem maiores conseqüências como a do sabor de um sorvete ou uma escolha que implica muito como a escolha da profissão. Em todas essas escolhas, por mais racionais que as pessoas tentem ser, estão sempre presentes também suas paixões, sentimentos e ideologias. Quando esses fatores subjetivos implicam em avaliações e tomadas de decisões de cada pessoa para com si tudo está bem, se não estiver cada pessoa pode procurar um analista, mas quando esses julgamentos têm implicações na vida de outras pessoas tudo fica mais complicado. O professor tem uma tarefa difícil, pois ele “é o profissional que tem como competências a obrigação de emitir juízos sobre desempenho de muitos “outros”: os seus alunos”.
Para que o processo de avaliação tenha conseqüências positivas é importante que o professor perceba o que foi colocado acima – a avaliação não acontece somente no final de uma etapa, ela acontece durante todo a interação didática. Ao somar essa percepção ao foco no processo de ensino que o é aprendizado do aluno o professor poderá tornar a avaliação uma prática e deixar as avaliações traumáticas para trás.
A avaliação não pode ser somente dos conteúdos estudados, tem que levar em conta a formação do cidadão. Assim nas sociedades contemporâneas – caracterizadas pela rápida circulação de informação - o papel do professor é: “Estabelecer uma cartografia de saberes, valores, pensamentos, e atitudes a partir da qual possam instigar criticamente seus conhecimentos e os de seus alunos”.
Os alunos devem ser avaliados pelos seus pares, e também por si mesmos. Além dessas mudanças na avaliação do desempenho dos alunos, outras mudanças devem ocorrer: o professor deve ser avaliado pelos alunos, pelos outros professores e também através de auto-avaliação. É fundamental que os parâmetros dessas avaliações sejam construídos coletivamente e que eles estejam claros a todos – um dos maiores problemas acontece quando as pessoas não sabem porque critérios estão sendo avaliadas. O processo de avaliação deve ser compreendido, por fim, como um processo que lida com pessoas e deve estar em constante avaliação.
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