terça-feira, 5 de outubro de 2010

ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar

            No capítulo: “A prática educativa: unidades de análise” do livro: “A prática educativa: como ensinar”, publicado em 1998, Antoni Zabala expõe sua reflexão sobre educação com o objetivo de melhor a prática educativa. Ele começa seu texto problematizando a avaliação dentro das ciências humanas que é complexa devido ao fato de que a própria escolha dos itens em avaliação é uma escolha avaliativa, em contraposição às ciências naturais que tem modelos empíricos de avaliação – como a cura do paciente, ou a descrição satisfatória de um fenômeno físico. Sem resolver esse impasse, mas também sem esquecê-lo, Zabala busca uma “atuação profissional baseada no pensamento prático, mas com capacidade reflexiva.”
            A partir da constatação de que as variáveis que configuram as práticas educativas são múltiplas e complexas, o autor centra os esforços na unidade da atividade/tarefa sem esquecer das seqüências didáticas que são compostas pelo encadeamentos das atividades/tarefas e integram-se em planejamento, aplicação e avaliação. Ele opta, depois de discutir as posições de outros autores, pela avaliação do seguintes tópicos: seqüências de atividade de ensino/aprendizagem, papel dos professores e alunos, organização social da aula, utilização dos espaços e do tempo, organização dos conteúdos, matérias curriculares e o sentido e o papel da avaliação.
            Zabala contextualiza ainda a correlação entre as influências das fontes sociológicas, epistemológicas, psicológicas e didáticas na construção dos modelos teóricos de ensino, e o condicionamento desses modelos pelo contexto do que resulta a prática educativa. No decorrer do livro ele pretende discutir diversas variáveis metodológicas de modo a propiciar aos professores condições de vencer a inércia na educação.

A nova lógica do ensino na sociedade da informação

            No capítulo “A nova lógica do ensino na sociedade da informação”, do livro “Tecnologia e ensino presencial e a distância”, publicado em 2003 pela Papirus, Vani Kenski faz uma reflexão sobre educação a partir das mudanças sociais ocasionadas por aquilo que ela chama de sociedade da informação. A sociedade da educação, dentro do ponto de vista da autora, altera toda a dinâmica do processo educativo, redefine o papel do professor e exige um novo tempo e um novo espaço da educação.
            Na metade do texto a autora muda um pouco seu ponto de vista e a sociedade da informação já não influencia e demanda das pessoas e aquilo que lhe interessa tanto assim, pois é necessária também “uma profunda, significativa e absoluta “mudança institucional” nos sistemas e esferas educacionais”.
            Nesta mudança, a gestão, o controle, a administração serão reestruturados e as instituições de ensino serão pólos de ação e produção de conhecimento para todos os cidadãos. A educação deve ser oferecida em todos os lugares, a formação deve ser permanente, as identidades fortalecidas, planos de interconexões educacionais devem ser estabelecidos e um projeto de ensino não-excludente deve ser construído de forma participativa e coletiva.
            Assim o humanismo conjugado com a máquina vão criar condições para o homem de “formação integral como ser humano, em todas as suas dimensões”.  Um novo cidadão, um novo mundo.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

DELORS, Jaques. Os quatro pilares da educação

O texto baseia-se na concepção de que a educação deve organizar-se em torno de quatro aprendizagens fundamentais que, tornar-se-ão os pilares do conhecimento de todo indivíduo. 
Os quatro pilares são:

  • Aprender a conhecer: domínio dos próprios instrumentos do conhecimento.
Crítica à especialização como objetivo único. O indivíduo deve ser possuidor de uma vasta cultura geral a fim de obter uma abertura para outras linguagens e outros conhecimentos, realizando assim, um ato de comunicação.
Interdisciplinaridade. Aprender a aprender.
Processo de aprendizagem do conhecimento nunca está acabado e pode enriquecer-se com qualquer experiência. A escola deve sempre incentivar a busca pelo conhecimento.

  • Aprender a fazer: indissociável do aprender a conhecer.
Esta aprendizagem está diretamente relacionada à formação profissional. O aprender a fazer também requer aprender a analisar o mundo onde se vive e identificar as possibilidades de trabalho existentes nele, para assim desenvolver-se de maneira coerente com o seu entorno. O “saber fazer” só se configura completo se tomamos o lugar e o tempo de onde o homem se enuncia.

  • Aprender a viver juntos, aprender a viver com os outros
Descobrir o outro como seu constituidor e não destruidor. Saber lidar com a alteridade é não apenas estar no mesmo ambiente que o outro e reconhecê-lo, mas sim a convivência em projetos comuns, destacando-se assim, a interdependência entre todos os seres humanos.

  • Aprender a ser
Reconhecer-se responsável e justo para com o meio onde vive. A educação tem o papel de conferir a todos os seres humanos a liberdade de pensamento, discernimento, sentimentos e imaginação de que necessitam para desenvolver seus talentos e permanecerem, tanto quanto possível, donos dos seus próprios destinos. Desenvolvimento da personalidade para agir com maior capacidade de autonomia.

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Acreditamos que a educação tenha um papel de extrema importância na formação ética, pessoal e profissional dos indivíduos. A tarefa é árdua e necessita de um empenho quase sobre-humano para que se consiga atingir os objetivos almejados pelas quatro aprendizagens antes mencionadas. O que deve ser entendido é que deve existir um trabalho em equipe (gestores, professores, orientadores, famílias, estudantes) para que se possa por em prática o que se teoriza na literatura em questão. Este é um trabalho extremamente dependente de todos os envolvidos para que se tenha êxito.